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O crepúsculo de uma nova era.


Arte: Habner Matheus
Arte: Habner Matheus

Janeiro de 2025 trouxe consigo mais do que o frio rigoroso do inverno no hemisfério norte. Trouxe também uma profunda reflexão sobre o mundo em que vivemos, marcado agora por uma clara mudança de direção: a desglobalização. Não foi algo repentino; antes, um fenômeno que cresceu lentamente nas sombras das promessas não cumpridas da globalização.

 

Por décadas, a globalização avançou com a promessa de um mundo conectado, de fronteiras abertas ao comércio e ao diálogo político e cultural. Instituições globais como a ONU, a OMC, o FMI e o Banco Mundial tornaram-se símbolos dessa nova era, atuando como árbitros, mediadores e promotores de uma ordem internacional estável e previsível. Durante um bom tempo, o otimismo parecia justificado.


Mas o sonho global começou a mostrar fissuras profundas. A crise financeira de 2008, a instabilidade política gerada pelas migrações em massa e a crescente desigualdade econômica global alimentaram ressentimentos profundos dentro das nações. Essas tensões prepararam o terreno para líderes políticos nacionalistas, que se ergueram prometendo soluções simples para problemas complexos.

 

A primeira eleição de Trump em 2016 foi um marco decisivo nesse processo. Sob o lema "America First", ele iniciou uma política agressiva de protecionismo econômico, enfraqueceu o compromisso dos EUA com instituições multilaterais e alimentou uma nova onda de nacionalismo ao redor do globo. Brexit no Reino Unido, governos conservadores na Europa e líderes populistas na América Latina e Ásia confirmaram uma tendência que se consolidou nos anos seguintes.





 

Agora, com a recente nova eleição de Trump em 2024, o movimento ganhou uma nova força. Não se trata apenas das tarifas comerciais impostas contra antigos aliados. Trata-se também do enfraquecimento deliberado das instituições que, por décadas, sustentaram a ordem internacional. Trump e líderes semelhantes passaram a ver essas instituições como obstáculos, preferindo decisões unilaterais, rápidas e imediatistas.

 

Em resposta, países que antes confiavam no sistema global passaram a buscar alternativas regionais ou bilaterais. A China, percebendo o vácuo deixado pelos americanos, apresenta-se como defensora do multilateralismo e da estabilidade comercial, embora com suas próprias condições.

 

Nesse cenário instável, a grande questão é se estamos diante de uma ruptura temporária ou do início de um novo ciclo histórico. Economias e sociedades terão que aprender novamente a lidar com fronteiras mais rígidas e decisões políticas mais restritivas. O vento da desglobalização sopra forte, deixando incertezas sobre quanto tempo durará e quão profundas serão as marcas deixadas no delicado tecido das relações internacionais.



Artigo: Emanuel Weber

 
 
 

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